BCG, a vacina da marquinha

15 Abr. 2020 / Maternidade / Saúde

Fonte: Revista Pais&Filhos

Você sabe que ela é importante, mas talvez não saiba muito bem por quê. A vacina BCG, que existe desde 1921 e faz parte do calendário oficial da vacinação, deve ser tomada até os 4 anos e é tão fundamental que costuma ser dada na maternidade. A sigla refere-se ao agente causador da doença que ela previne, a tuberculose: BCG quer dizer Bacilo Calmette-Guérin.
 
Segundo o médico pneumologista Marcus Conde, professor da UFRJ, o ideal é vacinar o filho quanto antes. A chance de um bebê desenvolver a tuberculose (após ser infectado pelo bacilo) no bebe é de 50%, já nos adultos essa chance cai para 10%. Os sintomas da tuberculose dependem do órgão afetado. A Tuberculose pulmonar, que ocorre em 90 por cento dos casos, se caracteriza pela tosse crônica + febre no final do dia + falta de apetite + emagrecimento. Em crianças menores de 2 anos, a tuberculose pode surtir sintomas como agitação+ febre inexplicável+ dificuldade em mamar+ dor ao dobrar o pescoço. Mas, é sempre bom que se tenha uma avaliação médica cuidadosa.
 
A vacina combate os casos mais graves da doença, mas não impede que a criança ou o adulto fiquem doentes. A diferença é que, com a proteção da vacina, se ficar doente, a criança responde ao tratamento.
 
 
Não é só no pulmão
 
Apesar de atacar os pulmões em 80% dos casos, a tuberculose pode afetar outros órgãos. Um dos casos mais graves é a meningite tuberculosa, que atinge o cérebro. Quando a criança ou o idoso, que têm o sistema imunológico mais frágil, entram em contato com o bacilo, a tuberculose pode se disseminar por todo o organismo, como se fosse uma “septicemia (infecção generalizada) de tuberculose”.
 
Depois que a BCG foi criada, os casos graves de tuberculose são raros. Mas, mesmo com a vacina, o Brasil possui 75 mil novos casos de tuberculose por ano: estamos entre os 22 países responsáveis por 80% dos casos mundiais.
 
 
O feto também pode pegar
 
Além da vacina, a melhor maneira de prevenir a doença é com informação. A tuberculose pode atingir qualquer pessoa, apesar de ser uma doença associada às más condições de vida.
 
Para que os casos diminuam é preciso fazer um diagnóstico rápido. Quando o identificada no início a doença é mais fácil de tratar e, assim, evita-se que o doente libere bacilos pelo ar.
 
Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose ativa precisa expelir as bactérias com a tosse.  O bacilo pode permanecer no ar durante várias horas.
 
O feto pode adquirir tuberculose através da mãe, antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amniótico infectado. O bebê também pode contrair a doença ao respirar ar que contenha gotículas de saliva infectadas.
 
 
BCG: tomar reforço ou não?
 
Até 2006, em alguns Estados brasileiros, como Minas Gerais, as crianças entre 6 e 14 tinham de tomar o reforço da vacina. A nova dose não é mais exigida, graças a pesquisas que demonstraram que o número de novos casos de tuberculose não mudava, pois as crianças na idade do reforço já tinham capacidade de combater o bacilo como um adulto.
 
Mas se seu bebê tomou a vacina ao nascer e até os 6 meses não formou a famosa marquinha,  converse com o pediatra e faça uma nova dose rapidamente. “Isso não adianta mais depois de anos. Somente neste começo”, esclarece Dr. Marcus.
 
O médico lembra que nem sempre a falta da cicatriz significa que a vacina “não pegou”. “Algumas pessoas não têm a capacidade de formar queloide (cicatriz), mas o fato de não haver a marca pode, sim significar que a vacina não foi aplicada corretamente”, diz o médico.
 
 
Quando há contraindicação?
 
As contraindicações para a BCG são raras: crianças com imunodeficiências primária da célula T, recém-nascidos infectados pelo HIV que apresentem sintomas (os assintomáticos podem tomar a vacina caso o médico pediatra recomende). 
 
Há também contraindicações relativas. Por exemplo, um recém-nascido com menos de 2 quilos não pode se vacinar, mas, a partir do momento em que ganha peso, deve receber a BCG. Ou, então, se a criança estiver com alguma doença de pele ou estiver tomando algum medicamento que deixe o sistema imunológico comprometido. Passadas essas situações, ela deve tomar a vacina.

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